Os dois primeiros anos de vida são essenciais para garantir que cada criança tenha um crescimento saudável, seguro e com pleno potencial de desenvolvimento. Pensando nisso, o Ministério da Saúde estruturou o Indicador C2 – Cuidado no Desenvolvimento Infantil, que avalia como está o acesso e o acompanhamento das crianças na Atenção Primária à Saúde (APS).

Mais do que medir números, o indicador revela como as equipes de saúde cuidam das crianças no território, garantindo acolhimento, prevenção e monitoramento contínuo.


O que é o Indicador C2?

O Indicador C2 monitora o cuidado oferecido às crianças de 0 a 2 anos, verificando a realização dos principais episódios de atenção considerados essenciais para um desenvolvimento saudável. Ele avalia a qualidade do acompanhamento realizado pelas equipes de Saúde da Família (eSF) e Atenção Primária (eAP).


Por que esse indicador é importante?

Os primeiros anos de vida são decisivos para:

  • o desenvolvimento cerebral;
  • a formação afetiva e social;
  • a prevenção de doenças e agravos;
  • a construção de hábitos saudáveis;
  • a redução de riscos futuros para a saúde.

Garantir cuidados adequados nesse período fortalece o crescimento saudável e cria bases sólidas para toda a vida.


As cinco boas práticas avaliadas pelo indicador

Para cada criança acompanhada, são verificadas cinco ações essenciais — cada uma valendo até 20 pontos, totalizando 100 pontos possíveis:

1. Primeira consulta até 30 dias de vida (20 pontos)

A criança deve passar por consulta presencial com médico(a) ou enfermeiro(a) até o 30º dia de vida.

2. Nove consultas até os 2 anos (20 pontos)

Incluem atendimentos presenciais ou remotos, garantindo o acompanhamento contínuo.

3. Nove registros simultâneos de peso e altura (20 pontos)

Monitoram o crescimento, identificando precocemente sinais de risco nutricional ou de desenvolvimento.

4. Duas visitas domiciliares do ACS/TACS (20 pontos)

A primeira visita deve ocorrer até os 30 dias e a segunda até os 6 meses de vida, reforçando a orientação familiar e o vínculo territorial.

5. Vacinação completa conforme calendário (20 pontos)

Inclui todas as doses recomendadas contra: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, Hib, poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola e pneumocócica.


Como o indicador é calculado?

O cálculo considera:

  • Numerador: total de pontos obtidos pelas boas práticas de cada criança.
  • Denominador: número total de crianças menores de 2 anos vinculadas à equipe.
  • Unidade: percentual, onde quanto maior, melhor.

A classificação dos resultados é:

  • Ótimo: acima de 75%
  • Bom: entre 50% e 75%
  • Suficiente: entre 25% e 50%
  • Regular: até 25%

Por que este indicador ajuda os gestores?

O Indicador C2 permite que gestores e profissionais:

  • identifiquem pontos fortes e fragilidades no cuidado infantil;
  • qualifiquem registros e processos de trabalho;
  • melhorem a organização da puericultura;
  • planejem ações para aumentar a cobertura de consultas, visitas e vacinação;
  • acompanhem a evolução mensal da atenção às crianças.

Limitações do indicador

Assim como outros indicadores que dependem de registros eletrônicos, o C2 pode apresentar desafios como:

  • registros incompletos no prontuário eletrônico;
  • envio atrasado das informações;
  • dificuldade na identificação imediata de óbitos no CadSUS.

Por isso, manter a equipe capacitada e registrar corretamente cada atendimento é fundamental.


Conclusão

O Indicador de Cuidado no Desenvolvimento Infantil é uma ferramenta estratégica que contribui para melhorar a saúde das crianças nos primeiros anos de vida. Ele monitora ações fundamentais de puericultura e fortalece a capacidade das equipes em garantir um começo de vida mais saudável, seguro e cheio de oportunidades.

Investir no desenvolvimento infantil é investir no futuro.