O Ministério da Saúde publicou a Nota Metodológica C1 – Mais Acesso, documento que detalha o indicador responsável por medir o equilíbrio entre atendimentos de demanda programada e demanda espontânea nas equipes de Atenção Primária à Saúde (APS). O objetivo é aprimorar o monitoramento do acesso da população aos serviços e orientar gestores na qualificação da assistência.
O que é o Indicador “Mais Acesso”?
O indicador Mais Acesso verifica qual a proporção de atendimentos de demanda programada (consultas agendadas e acompanhamentos contínuos) em relação ao total de atendimentos realizados na APS, incluindo aqueles de demanda espontânea, como urgências ou consultas do dia.
Em resumo, ele mostra como a equipe organiza seu processo de trabalho, equilibrando ações planejadas com necessidades imediatas da população.
Por que esse indicador é importante?
A Atenção Primária é a porta de entrada do SUS e precisa equilibrar dois pilares fundamentais:
- Demanda Programada: ações planejadas, acompanhamento de condições crônicas, consultas agendadas.
- Demanda Espontânea: necessidades de atendimento imediato, como urgências, orientações e consultas do dia.
Uma equipe que realiza apenas atendimentos espontâneos tende a trabalhar de forma reativa. Já uma equipe que foca exclusivamente em consultas programadas pode limitar o acesso ao cuidado imediato. O indicador ajuda a identificar esses desequilíbrios.
Como o indicador é calculado?
O cálculo considera todos os atendimentos registrados no modelo de Atendimento Individual (MIAI) e realizados por médicos e enfermeiros da APS.
Fórmula:
Demanda Programada / Total de Atendimentos (Programados + Espontâneos) × 100
O que entra no cálculo:
- Demanda Programada: consulta agendada programada, consulta agendada, cuidado continuado.
- Demanda Espontânea: escuta inicial/orientação, consulta no dia, atendimento de urgência.
Os dados são validados pelo SCNES e extraídos mensalmente no SIAPS.
Classificação dos Resultados
Segundo a Nota Metodológica, os resultados são interpretados da seguinte forma:
- Ótimo: > 50% e ≤ 70%
- Bom: > 30% e ≤ 50%
- Suficiente: > 10% e ≤ 30%
- Regular: ≤ 10% ou > 70%
A observação importante é que valores acima de 70% também são classificados como “regular”, pois sugerem excesso de atendimentos programados, o que pode indicar pouca abertura para acolhimento imediato.
Periodicidade e Abrangência
O indicador é atualizado mensalmente e permite análises por:
- Brasil
- Regiões
- Estados
- Municípios
- CNES
- Equipes (INE)
Isso facilita identificar desigualdades, variações regionais e oportunidades de melhoria.
Limitações
Como depende de registros feitos no prontuário eletrônico, o indicador pode ser impactado por:
- Erros ou ausência de registro do tipo de demanda;
- Envio tardio das informações;
- Divergências no cadastro de equipes e profissionais.
Boa qualificação das equipes e revisão de fluxos de informação são essenciais para resultados consistentes.
Por que os municípios devem acompanhar esse indicador?
O Mais Acesso é um indicador estratégico que auxilia a gestão municipal a:
- Melhorar o acesso da população;
- Organizar agendas e fluxos de acolhimento;
- Reduzir filas e atendimentos não planejados;
- Aumentar a resolutividade da APS;
- Tomar decisões com base em dados reais.
Seu monitoramento contínuo fortalece a capacidade de planejamento e qualificação da Atenção Primária nos territórios.
Conclusão
O indicador Mais Acesso é uma ferramenta essencial para compreender como a Atenção Primária organiza suas ações e atende a população. Ele permite identificar desequilíbrios, orientar melhorias e construir um serviço de saúde mais eficiente, acessível e resolutivo.
Monitorar e utilizar esse indicador é fortalecer o SUS e melhorar a qualidade do cuidado prestado às pessoas.